Às vezes, dúvidas cruzam a mente de pais e mães por todo o planeta: “Qual a melhor forma para garantir um bom futuro para meu filho?” “Qual a melhor escola, o melhor curso e atividades extracurriculares?” “Uma poupança que pague seus estudos até a Universidade?” “Muitos estímulos para desenvolver suas múltiplas habilidades ou deixá-lo com tempo livre para descobrir o mundo?” São inúmeras as perguntas, muitas delas chegam a torturar, a tirar noites de sono, encher de culpa e até mesmo de trabalho extra, já que arcar com todos esses sonhos e possibilidades não custa pouco.
Porém, a resposta correta não está diretamente aí, porque o que mais importa para o desenvolvimento de uma criança não é única e exclusivamente a quantidade de informação introduzida em seu cérebro nos primeiros anos de vida, mas sim a forma como é desenvolvido o conjunto de habilidades e características como autocontrole, persistência, determinação, autoconfiança e, uma das mais importantes de todas: o limite. Essas habilidades e características, com certeza, farão a grande diferença tanto na vida escolar de uma criança quanto em sua vida como um todo.
Ao determinar limites para a criança, tenha em mente que foi estabelecida uma situação que deverá, de fato, ser cumprida, inclusive com as devidas consequências. Quanto a uma possível punição, o melhor é que esta realmente aconteça. A punição não deve durar muito tempo ou ser permanente. Para aprender com a lição, a criança deve estar ciente do motivo pelo qual foi punida. Se o castigo for por tempo indeterminado, chegará um momento em que ela não lembrará mais a razão de estar sendo punida, sentirá-se injustiçada ou, até mesmo, os pais abrirão mão do cumprimento e tudo ficará perdido no tempo e no espaço. Um exemplo prático seria: dizer “hoje você não assistirá televisão” ao invés de “você ficará um mês sem televisão”.
Os adultos devem agir com coerência em relação às regras. Não devem desistir no meio do caminho daquilo que foi combinado, garantindo que os limites impostos se adequem à vida cotidiana da família e que todos colaborem com o processo.
As crianças, mesmo pequenas, já compreendem o que lhes é dito e as regras a elas impostas. Por isso, desde cedo se faz necessário o diálogo, explicando o que pode e o que não pode, bem como os “porquês” de tais determinações.
É importante também que todos os adultos envolvidos, direta e indiretamente, na educação da criança estejam em sintonia para que ela perceba que as regras serão determinadas e cumpridas dentro e fora de casa, servindo para um, servindo para todos. Se o combinado for descumprido durante um passeio ou na casa de outra pessoa, as consequências devem ser aplicadas assim que vocês chegarem em casa, impreterivelmente. O fundamental é que tios, padrinhos, avós e amigos não permitam atitudes proibidas pelos pais.
A arte de educar um filho não é uma tarefa fácil. Tampouco existem manuais que possam ser seguidos rigorosamente no dia a dia. Cada um tem o seu modo de agir, o que pode agradar ou não às outras pessoas. Existem alguns pontos básicos que podem ser direcionados e que ajudam na educação de uma criança, mas isso não significa seguir uma receita de bolo. Cada família precisa se adequar à sua realidade e à realidade de seu filho. Afinal, os filhos são os bens mais preciosos de seus pais, e a educação, a formação e a condução da personalidade dos filhos é a principal e mais importante herança deixada por eles.